giovedì 23 settembre 2010

Azione creativa: sul sentimento del viaggio - Un testo di Fernando Pessoa, poeta e scrittore portoghese


IL TESTO
Viaggiare? Per viaggiare basta esistere. Passo di giorno in giorno come di stazione in stazione, nel treno del mio corpo, o del mio destino, affacciato sulle strade e sulle piazze, sui gesti e sui volti, sempre uguali e sempre diversi come in fondo sono i paesaggi.
Se immagino, vedo. Che altro faccio se viaggio? Soltanto l’estrema debolezza dell’immaginazione giustifica che ci si debba muovere per sentire.
“Qualsiasi strada, questa stessa strada di Enterpfuhl, ti porterà in capo al mondo”. Ma il capo del mondo, da quando il mondo si è consumato girandogli attorno, è lo stesso Enterpfuhl da dove si è partiti. In realtà il capo del mondo, come il suo inizio, è il nostro concetto del mondo. E’ in noi che i paesaggi hanno paesaggio. Perciò se li immagino li creo, se li creo esistono; se esistono li vedo come vedo gli altri. A che scopo viaggiare? A Madrid, a Berlino, in Persia, in Cina, al Polo; dove sarei se non dentro me stesso e nello stesso genere delle mie sensazioni?
La vita è ciò che facciamo di essa. I viaggi sono i viaggiatori. Ciò che vediamo non è ciò vediamo, ma ciò che siamo.

Fernando Pessoa, Il libro dell'inquietudine, Impronte/Feltrinelli, Milano 1996, p. 98.

O TEXTO
"Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.
Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.
«Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.» Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?
A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, edição Richard Zenith, Assírio & Alvim, Lisboa 2006, p. 360.

6 commenti:

Anonimo ha detto...

Estou emocionado! Trata-se de uma ideia interessantíssima e tenho a certeza de que a sua concretização será um êxito.

Estou pronto a colaborar.
Abs

Ana Tapadas ha detto...

Eu sou apaixonada por Itália!
Esta ideia comoveu-me.
Estarei disponível para o que for necessário.
A página será um sucesso e, desde já, parabéns pela ideia.
bjs

Andradarte ha detto...

Encantado...Dentro dos meus fracos meios,.......ao vosso dispor....
PARABÉNS

Associazione Culturale Luís de Camões ha detto...

Olá Henrique

Nós também estamos emocionados pela sua visita!
Estamos muito felizes e honrados por podermos contar com a sua colaboração.
As suas competências, cultura e experiência de vida serão uma ajuda preciosa!
Vamos lançar oficialmente a nossa Associação no fim de Outubro…
Muito obrigado.

Abraços

Associazione Culturale Luís de Camões ha detto...

Olá Ana

...e nós somos muito apaixonados por Portugal!!
Muito obrigado pela sua presença neste espaço e pela amável disponibilidade.
Com certeza o nosso projeto de intercâmbio cultural terá grande êxito com a sua preciosa colaboração!

Até breve…
Um imenço abraço

Associazione Culturale Luís de Camões ha detto...

Olá Mestre Andrade!

E nós também ficámos encantados com a beleza da sua arte digna de toda a nossa admiração. Nas suas obras reconhece-se a grande tradição artística portuguesa!
Estamos muito felizes e honrados pela sua presença neste novo espaço e desde já agradecemos sua presença em nossa página e sua amável colaboração.

Abraços

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